Eles não querem crescer

Homens namorando moças com idade da filha já não causa tantos comentários maldosos. Senhoras com rapazes muito jovens também tem sido visto como algo corriqueiro. O que tem causado estranhamento, e até certo incômodo de quem convive, são homens e mulheres que insistem em se comportar como adolescentes sem freio - rebeldes, independentes, ansiosos, egocêntricos. Na prática, o comportamento resulta em confusão no convívio social. Para os filhos, os pais na maioria da vezes perdem a posição de heróis para serem vilões, e no mercado de trabalho, os imaturos não são levados a sério. 
 
Quando descobrem que não estão agradando, ficam frustrados e compensam a raiva comportando-se de maneira agressiva ou fazendo “manha”, como se fossem crianças. De acordo com Cidinha D’Agostinho, terapeuta emocional de Rio Preto, comportamentos e episódios incomuns à faixa etária têm uma explicação de fundo psicológico. “Muitos não têm preparo emocional nem cultural para lidar com o mundo ao qual são apresentados quando se tornam adultos.” Muitas vezes, o problema tem origem em uma infância carente de valores. 
 
A família e a educação são essenciais para formar a personalidade e a visão de mundo de qualquer pessoa. Quando há lacunas nesses dois pontos, o resultado é um adulto despreparado para lidar com perdas, frustrações, problemas financeiros e dilemas familiares vivenciados no início da vida adulta. “Para eles, é mais fácil intimidar, se fazer de vítima ou reagir de forma imatura diante de algo que pode ser uma ameaça”, afirma Cidinha. Já sobre adultos que usam roupas descoladas, decotadas e justas, semelhante às dos filhos, a psicóloga e psicoterapeuta Georgia Nigro Argese, de São Paulo, explica que esse comportamento é uma realidade do mundo atual, que cobra um padrão de beleza e jovialidade. 
 
“Eles assumem o figurino novo para se sentir aceitos, como parte de algo, pertencendo ao grupo social de maior destaque.” Falta, nestes casos, uma visão realista de mundo, assim como uma maior aceitação das diferenças e dos limites para as mudanças que cada um tem que assimilar no decorrer da vida. No livro “A Síndrome de Peter Pan”, o escritor e psicólogo norte-americano Dan Kiley afirma que esse tipo de atitude é bacana no início de um relacionamento, mas depois atrapalha, porque o comportamento imaturo se torna padrão, o que ninguém tolera. 
 
Há mais ocorrências de homens imaturos do que mulheres, porque eles têm um processo de defesa, não querem aparentar ser inferiores a elas. Em algumas situações, escolhem se distanciar da esposa e dos filhos do que assumir que também possuem um lado inseguro. Para dar certo, é preciso empenho da família. “A esposa e os filhos devem incentivar uma mudança. Se o imaturo entender que deve mudar, focar na transformação, terá um outro resultado e será positivo”, afirma Cidinha. Para amadurecer, é preciso autoconhecimento. “A pessoa precisa se aceitar, reconhecer os pontos que precisa desenvolver e querer mudar”, afirma a psicóloga Geórgia. 
 
“Autoconhecimento é um processo com altos e baixos, avanços e retrocessos, por isso, uma psicoterapia focada naquilo que a pessoa quer transformar pode ser o começo para essa transformação.” 
Carolina Costa Fernandes, psicóloga de São Paulo, afirma que os imaturos devem aprender com as opiniões alheias, mesmo que não concordem, assim como lidar com perdas e frustrações para terem ganhos na frente. “A vida não é feita apenas de coisas boas, infelizmente, mas aprendemos muito com nossos erros”. Para ela, é preciso avaliar o dia e colocar-se no lugar do outro. “É preciso perceber que hora, as coisas ocorrem da forma como se deseja, e hora acontece da forma que o mundo exige”. 
 
Lado positivo 
 
O comportamento imaturo também tem seu lado positivo. De acordo com Georgia, na busca por parecer mais bonito e jovem, a pessoa cuidará melhor da sua saúde física, mental e também de sua aparência. “Também ficam mais alertas para o que acontece no mundo, buscando conhecer novas tecnologias, tendências e novidades.” 
 
 
Reação tem origem na falta de limite 
 
Os pais têm papel fundamental na maneira como os filhos encaram a vida e se tornam adultos. Reações como teimosia e indelicadeza na fase adulta podem ser frutos de uma educação mais permissiva, com poucos limites, em que a criança tem todos seus desejos atendidos. “São filhos que quase nunca ouvem um não”, afirma a psicóloga e psicoterapeuta Georgia Nigro Argese. Georgia explica que a infância é um momento mágico, leve, sem responsabilidades, de desejos realizados, não há cobranças, ou seja, uma época de boas lembranças e sentimentos. 
 
“Em momentos de dificuldade, uma pessoa mais imatura tende a se comportar de forma infantilizada na tentativa de receber o mesmo tipo de atenção que recebia quando criança.” Especialistas afirmam que é mais fácil para as crianças conviver com o não do que com a ausência dele. “Educadas nesta condição, elas se tornam adultos mais tolerantes aos limites da sociedade”, afirma Georgia. Para Cidinha D’Agostinho, terapeuta emocional, ao receber um não a criança pode eliminar a falsa ideia de chamar atenção com ações negativas.

Depoimento

 João Augusto Rodrigues Moitinho é advogado e consultor  jurídico, graduado pela UNESP, estudioso da física quântica, comenta o livro Ter ou Ser, eis a nova questão.
 

O Livro

 O livro “Ter ou Ser... Eis a nova questão”, apresenta uma técnica inédita, denominada Terapêutica Emocional, em que trabalha a busca do equilíbrio e da harmonização proporcionados por novos conceitos e crenças gerados pelo indivíduo a partir do conhecimento  de sua Identidade Emocional, seja ela Ter ou Ser.

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